[Diário de Viagem] LISBOA: Perdi o voo, mas ganhei uma lição
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[Diário de Viagem] LISBOA: Perdi o voo, mas ganhei uma lição

Os planos de sair do país e começar a jornada exatamente nos minutos finais do ano não funcionaram. Consegui uma passagem perfeita, Salvador > Munique partindo às 23:55h. Já me imaginava lá do alto dando adeus para o Brasil e minha velha vida com fogos de artifício e aquela sensação de tudo novo e coisa e tau e tau e coisa. Mas a viagem começou meu queridão. E quando você viaja o negócio não funciona bem quando você acha que está tudo bem. É complexo, é paradoxal? É. Mas é assim que a história continua…

Se eu fosse parar pra pensar direitinho, qual é a chance de dar certo um voo às 23:55h do dia 31 de dezembro, pré reveillon em Salvador, Bahêa minha p* meu amô? Colocando a ideia agora aqui em letras pretas e tela branca, realmente a possibilidade de alguém cagar ou sair cagado (me desculpa os termos chulos) era muuuito grande. Tudo bem que a melação não foi épica, digamos que apenas um peido, um punzinho assustado no elevador. Deu pra contornar a situação e continuar vivendo sem suspeitas. O que eu quero dizer com essa metáfora de uma criança de 5 anos de idade… É que no final das contas embarquei e consegui chegar no destino final (calma, calma, não pense que está tudo bem. Lembra o que acontece, né?).

O voo atrasou porque os comissários e o piloto não conseguiram chegar a tempo no aeroporto. O engarrafamento, que eu fiz de tudo para evitar (conto o início da saga AQUI), eles não. Pegaram gostoso e, por isso o melaço dos planos iniciais (aquela coisa da gente não conseguir controlar o universo. So… Just relax, baby!).

Espera no Aeroporto de Salvador / BA

Meia noite e zero zero sentado no chão do aeroporto e sem previsão de quando iria embarcar de fato para Lisboa. Meia noite e um de pé no aeroporto abraçando desconhecidos e desejando “feliz ano novo!” (amo minha Bahia e o calor humano dos seus baianos). A galera que estava na sala de embarque começou a gritar, fez contagem regressiva, maior folia da vida. Só faltou estar de branco (meu caso no caso, porque muita gente de fato estava), um mar e uma champa (é assim o jeito cool de falar?) pra gente fazer o ritual completo. De resto, o sentimento rolou legal. Gostei. Fui feliz assim também e comecei a entender que as coisas não iriam sempre sair do jeito que eu planejava. Não é um final de semana fora de casa meu caro WillyBoy, é uma vida nova e a vida reserva surpresas justamente para ser vivida.

Apesar do atraso na saída a chegada em Lisboa foi a tempo (puts, esses europeu…). Ai você me pergunta: Lisboa, meu querido? Não era Munique o destino final? Ai eu te respondo: Sim, queridão, o destino final é Munique, mas com escala em Lisboa antes. Hmm, entendi. E é em Lisboa que eu tomo a segunda lição do livro “A viagem já começou”.

Meu próximo voo para Munique era apenas às 19:40h, isso me dava umas boas horas de espera, uma vez que cheguei de manhã. Mas, lógico, não ia ficar no aeroporto vendo a vida simplesmente passar. Pra mim escala longa em destino legal é sinônimo de bônus não de ônus. Então fui aproveitar o daily vale na cidade dos luso-bigodões. Não sabia direito o que ver, para onde ir e etc. Então dei uma passada no balcão de informações turísticas e fiz aquela velha pergunta googliana “o que fazer em Lisboa em menos de 24h?”. A rapariga do balcão me deu as coordenadas (esperei 6 parágrafos para usar essa palavra de duplos sentido), um mapa marcado e a benção. Fui! Comprei a passagem de metrô para o centro da cidade, mais especificamente chegando na famosa Praça da Figueira (primeiro linha vermelha até Alameda, depois linha verde até Rossio).

 

Lisboa completamente vazia. Somente eu, umas castanhas assadas e meia duzia de senhores de chapéu. Minha primeira impressão do país foi que só tinha velho. Também né, 1 de janeiro, pós réveillon, em Lisboa, geral, aquela hora da manhã, estava no mínimo estirado na cama, no chão ou em algum lugar que eles só iriam descobrir depois do meio dia. Mas OK! Vamos bater perna.

Vendedor de castanhas assadas na rua de Lisboa

 

O famoso bondinho elétrico amarelo de Lisboa

Rodei. Rodei pela região da Baixa, na Igreja de São Domingos, na Praça de D. Pedro V. Andei. Andei pelas ruelas estreitas e subi longas ladeiras, sem reclamar, só admirando as varandas com roupas penduradas e vasinhos de flores, tímidos pelo frio do inverno, mas charmosos o suficiente para me dar a gostosa sensação de estar na Europa pela primeira vez. Não deu tempo me apaixonar por Portugal, como muitos amantes flechados à primeira vista, mas me deu vontade de voltar em outra oportunidade. O U T R A oportunidade, entendeu vontade? Não, ela não entendeu…

Continuei conhecendo ali o centro de Lisboa, andando com bastante calma, sem pressa, sem correria, o meu tempo era realmente folgado e eu não me via na obrigação de dar check em todos os pontos turísticos do lugar. O que eu encontrasse pela frente era lucro. Gostei muito da vista do Jardim de São Pedro de Alcântara, me dei ao luxo de ficar ali um bom tempo, não sei ao certo quanto (você está vendo como estou levando a sério esse negócio de ficar relaxado com a hora né? Vai vendo…). Do mirador vi pela primeira vez o famoso Castelo de São Jorge e cruzei uma feirinha, dessas de Natal, com barracas de cortiça. Tudo era de cortiça, desde as paredes até o que se vendia (tinha inclusive tênis feito do mesmo material).

 

A barriga deu uma roncada forte e decidi experimentar o famoso pastel de Belém (em Lisboa) pra calar a boca dela em grande estilo. Entrei no primeiro MC Donalds que vi pela frentre (calma, não fui tão otário assim). Entrei só para usar o Wi-Fi e encontrar um bom lugar, com um bom pastel que marcasse minha memória afetiva (ou pelo menos minhas papilas gustativas). Creu. Aparentemente achei o lugar perfeito e olha só… uma fila enorme! Parece que tem gente abaixo de 70 anos em Lisboa, mas infelizmente tiveram a mesma ideia que eu. Ok. Mudei de ideia. Fila não era algo que eu queria enfrentar nesse primeiro dia de vida nova. Sendo assim decidi fazer o que deveria ter feito desde o começo, só sair andando e esperar um lugar legal acenar pra mim dizendo “Olá, entra aqui!”. E assim foi. Achei uma taberna bem simples e cheia de portugueses originais de fábrica dentro. Atendi ao chamado e entrei com um sorrisão no rosto e uma leve expectativa. No final das contas acho que nem comi pastel, mas foi delicioso mesmo assim, a experiência e o bolinho frito (talvez seja um pastel desconstruído, quem sabe?! É Portugal). Satisfeito, hora de voltar para o aeroporto e seguir viagem. Na minha cabeça ainda era para começar a viagem. Pobre WillyBoy, mal sabia ele que a viagem, de fato, já tinha começado desde o momento que o avião não decolou no horário (mua ha ha ha ha).

Cheguei no aeroporto, olho pro relógio, ainda bastante tempo (rum). Olho para a passagem, confiro o número do portão de embarque, é o 26 (porque você não conferiu só o horário?). Me direciono para o referido portão. Que coisa boa, uma mesinha com entradas USB para carregar o celular. Perfeito. Tudo perfeito menos minha cabeça de pastel de vento. Eu não sei como minha mente chegou a conclusão que meu voo era às 23:40h. Na verdade eu sei sim, essa era a hora de chegada em Munique.

19:00h e a Wallet (app da Apple) começa a me avisar educadamente que a hora de embarcar estava chegando. O que que esse despertador está tocando, gente? Ignoro e deixo o celular terminar de carregar.

19:20h a Wallet volta a me avisar (provavelmente já perdendo a paciência). Ignoro novamente. O celular ainda não terminou de carregar.

19:30h a Wallet começa a gritar, descabelar, esperniar (estou dando vida a um app que só tocou um simples e sutil bip mesmo)! Aí eu simplesmente cancelo o alarme, porque… Porque até eu hoje eu não sei. Não sei o que eu estava pensando! (gente do céu, esse negócio de escrever, faz a gente refletir! Porque mesmo eu desliguei o alarme e não me toquei que era o aviso do voo? Mistério que permanecerá oculto pela eternidade).

19:50h olho pro relógio e decido que começaria ali a achar algo estranho (aaah! se fosse 10 minutos antes). Vou no painel de escalas e não vejo o meu voo na lista. OK, ainda é cedo para esse voo aparecer. O algo estranho não se aquieta mais (é o pastel de vento se recheando). Vou até a entrada do portão 26 e pergunto sobre o meu voo para o cara que estava no balcão. Olha no painel, foi o que ele me disse. Já olhei, mas acatei a sugestão e fui olhar direito, afinal, estamos falando de mim comigo mesmo ne? Pode ser que passei batido (será WillyBoy, logo você tão atento?!). Nada. Não aparece o meu voo no painel. Volto para o portão para insistir na pergunta na esperança de ter uma resposta mais concreta. Agora tem um moço fardado e com crachá da TAP. Opa! Sinto que esse vai falar algo a mais do que só me mandar olhar a TV. Falou. Falou que meu voo mudou para o portão 16 há muito tempo atrás e antes que eu corresse para o novo embarque ele já quebrou minhas pernas avisando que o avião já havia decolado fazia 15 minutos.

Para, sem chance. Você está brincando comigo. Não. Com todas as chances e sem brincaderia mesmo. Você perdeu o voo. Graças a Deus eu fiquei sem palavras. Porque antes que eu me queimasse falando que estava esperando no portão errado e pensava que o voo era às 23:40h quando na verdade era às 19:40h, ele me sugeriu ir no chichê de “Serviço ao Cliente” e entrar na fila de espera para o próximo voo (o famoso orverbooking). Fui. Expliquei ainda meio gaguejanto o que aconteceu. As meias palavras, acredito eu, deram a entender que a culpa foi da TAP não minha, porque a moça me deu uma nova passagem sem nenhuma interrogação ou problema (juro que não foi minha intenção. Além de ser só uma teoria).

Nunca na história desse universo trocar 2 por 1 fez tanta diferença. Quem inventou o 2 e o 1 pelo amor de Deus? Isso causa guerras, mortes, perdas dolorosas. Isso faz a gente ter que esperar um novo voo até 8:10h do dia seguinte. Faz a gente dormir no aerporto pra não gastar dinheiro, num lounge de telefonia celular, num lounge verde limão de telefonia celular. Isso faz a gente disputar um único sofá aparentemente mais confortável com um japonês mais inteligente que você e que no final consegue o tal sofá. Mas isso também te faz pensar naquela premissa lá do início. É, a viagem começou. Olha nozes aqui enfrentando o primeiro perrengue de um monte que ainda está por vir. Sai um riso. Uma risada na verdade. Rir de si mesmo é bom e por isso ganhei um prêmio, o Wi-Fi do lounge é melhor do que o da minha casa e o sofá menos confortável fica do lado da única tomada (chupa japa!).

Atualização do stories @eimaetovivo

 

Cai no sono que nem vi. Acordei uma única vez de madrugada e quando olho o lounge virou um hostel lotado. Parece que só estavam esperando um abrir a porteira pra boiada toda se jogar no pasto verdejante (e que verde, volto a ressaltar). Voltei a dormir e só acordei de manhã com a faxineira quase me varrendo dali porque o expediente já começara. Fui para o novo portão de embarque. Dessa vez o certo. Mas sem certeza se iria entrar ou não, afinal era overbooking não uma passagem normal. Advinha? Não consegui.

Fui menino moço, inexperiente. Cheguei cedo, mas na inocência apenas esperei me chamarem. Não percebi que isso é guerra e tem que ter sangue no olho e dar rasteira no “inimigo” para conseguir a vitória no final. Cheguei no portão e falei com a atendente sobre meu caso e me escanteei. Nisso um pessoal formou uma fila do lado do balcão. De inicio pensei que eram os passageiros para embarcar, depois percebi que eles também estavam aguardando uma vaga. Acabou que todo mundo entrou e eu sobrei. Eu e Augusto (falei Fernando no VLOG #01 do YouTube). Ausgusto? Augusto? Nada desse Augusto aparecer. Aha! É aqui que eu entro, pensei. Ouvi as duas comissárias comentando que esse tau de Augusto era da poltrona 1A, isto é, 1ª classe baby (here we go!). Só um cara me afastava desse momento glorioso e ele estava estirado no chão, morto dormindo um sono profundo, pois não acordava de jeito nenhum (acho que foi minha torcida interior). A moça da TAP foi até ele, sem tocar, chamou, chamou de longe, chamou no ouvido e nada. Ela pegou a passagem que estava no suvaco dele, morrendo de nojo, e conferiu o nome pra vê se ele era o tal Augusto da 1A. Não. A bela adormecida não era Augusto. Já vi um tapete vermelho se esticando pra mim. Já sentia o cheiro do salmão grelhado, do v… Opa, opa! Luzes apagando, computador sendo desligado. Espera nega! Ainda estou aqui, falta você me chamar! Desculpe, senhor, não sobrou vaga. What? E o Augusto que não veio? Não sei porque (de novo) eu não falei em voz alta isso pra ela. Só fiquei lá com cara de taxo, enquanto as cheiradoras de suvaco dos outros iam embora. Certeza que foi preguiça de remanejar tudo pra poder me colocar. Enfim, sobrei nessa. E agora? Será que um raio cai duas vezes no mesmo lugar e eu vou conseguir entrar na fila de espera novamente?

Dessa vez acabei me dirigindo para o “Balcão de Transferência” ao invés de ir direto no “Serviço ao Cliente” novamente. A atendente foi super simpática e estava disposta a me ajudar. Ligou para o “Balcão de Bilhetes” (é tanto balcão que eu já estou ficando confuso de novo). Mas já essa tal não estava muito afim de acudir. Então a moça legal me mandou ir até lá e tentar resolver pessoalmente. Realmente a do Bilhete não era gente boa, nem por telefone, muito menos ao vivo. Queria me cobrar 800 euros por uma nova passagem. Juro que mordi a lingua pra não rir na cara dela. 800 euros é o que eu quero gastar nessa viagem inteira, minha filha! (de novo só pensei e não falei nada). Sai de lá e fui até o “Serviço ao Cliente”, como se nada tivesse acontecido. Ela me deu outro overbooking para tentar mais tarde. Meio contrariada, ou melhor, desacreditada. Já me alertou logo que era quase impossível conseguir embarcar, uma vez que esse horário é sempre o mais lotado aaand disputado.

Nessa mesma hora um seguidor do Ei Mãe, amigo de amigos, que mora na cidade de Porto (também Portugal) entrou em contato comigo, porque ele tinha visto nos stories que eu estava em Lisboa. Felipe (o nome dele) me perguntou se eu pretendia rodar o país e me ofereceu sua casa para hospedar. Achei massa, agradeci, mas não era minha intenção ficar lá não. Nunca nem tinha pensado na possibilidade. Só me via no destino final, “começando” a trip na Alemanha. Conversa vai, conversa vem, ele me contando das belezas de Porto, me mandando fotos de pôr do sol (sacanagem, tocou no ponto fraco), estava quase me convencendo a chutar o balde e ficar por lá mesmo, me aventurar por Portugal sem ver a quem e percorrer o caminho até Munique por terra, cruzando os paises que outrora não pretendia conhecer.

Na dúvida deixei a vida escolher por mim (uhuu! Finalmente o garoto está entrando no clima). Falei pra ele que ia passar mais aquele dia em Lisboa, até o horário do próximo voo, tentaria embarcar mais uma vez e se desse certo ótimo, era pra eu chegar na Alemanha. Por outro lado, se levar uma portada na cara de novo, ótimo também, é um sinal que meu caminho deve ser outro. E assim fiz.

Antes do desfecho final ainda pendi pro lado de ficar por ali mesmo, pois fui atrás de uns conhecidos dele que tem uma cafeteria na cidade, a qual ele já fez trabalho voluntário. Felipe me passou o endereço e encorajou a procurar, para caso tudo desse errado e eu tivesse que ficar mais tempo em Lisboa, poderia ficar com eles. Marquei no mapa, peguei o metro, desci no centro, bati perna até a cafeteria. Resumindo, finalmente comi o pastel de bacalhau, não na cafeteria, mas em uma padaria tipicamente portuguesa em frente, pois o pessoal não pode me receber direito naquele momento, apesar de não fechar as portas, caso eu precisasse. Delícia. Já valeu o risco. Volto pro aeroporto.

A bem da verdade é que eu já estava conformado em ficar ali mesmo. Já me via viajando por Portugal, chegando em Porto, conhecendo Felipe, assistindo o pôr do sol, mochilando pela Espanha, França… Êpa! Com que mochilão? Esqueci que minha mochila provavelmente já estava em Munique. Ela, ao contrário de mim, embarcou direitinho (será?). Essa foi a única coisa que ainda me motivou a tentar mais uma vez. Evitar dor de cabeça e burocracia para resgatar a mochila com certeza era um ótimo motivo. Cheguei cedo. Eu mesmo formei a fila, para não chances aos concorrentes. Ganhei a poltrona 19F. Fui o primeiro das sobras a entrar. Embarquei. Decolei. Pronto. Só o fato de ligar o “whatever”, o “tanto faz” foi suficiente para dar certo. É bizarro o clichê, mas fazer o que se ele sempre é verdadeiro.

Atualização do stories @eimaetovivo

A vida escolheu me levar para Munique. Não no dia 1 de janeiro. Não num voo tranquilo de Salvador com escala cronometrada em Portugal. Não como um turista de férias. Não como alguém que deve evitar erros e atrasados, pois seu tempo é apertado e seu planejamento é cartesiano. Não Munique sem o verbo levar. A passagem me distraiu com seu preço barato, com o local de partida mais perto e a suposta data ideal. Mirei no primeiro destino e não entendi que o real presente que a vida me dera foi o percurso. Realmente não poderia começar a jornada sem desembrulhar essa importante lição que muda tudo de agora em diante.

5 0 579 03 maio, 2017 Ano Sabático, Portugal maio 3, 2017

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Willy Barros



Sim sou eu, o filho desnaturado que foi morar na África aos 17 anos e desde então não consegue mais parar de viajar. Agora, depois de graduar e guardar uma grana, caí na estrada e estou vivendo o sonho da volta ao mundo.

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