A história

Ledumadumane, Botswana (2008)

O Ei Mãe não é de hoje, ele começou em 2010, de forma tímida e zero pretenções, após um amigo me pedir para registrar a viagem que fizemos juntos cruzando a Argentina até o Chile.

Sempre gostei muito de viajar e até então quase que todas as empreitadas que me arriscava fazer era sozinho, basicamente porque na época ninguém se animava em viajar para países como Bolívia e Peru ou lugares até então quase inexplorados, como a Chapada Diamantina e por aí vai (conto mais desse meu lado AQUI). Mas mesmo sem companhia, volta e meia um brother ou alguém próximo que ouvia falar que fui para determinado lugar, me pedia para contar essas histórias de viagem, como eu descobri aquele destino, quanto gastei, o que que eu fiz, onde fiquei e tudo mais.

Pra mim, meio que sempre fez parte do processo “o depois”, o sentar para mostrar as fotos, rir contando tudo que passei e animar o pessoal a tentar o mesmo, a mudar aquela mesmisse de roteiro de final de ano pra praia com isopor e farofa (a farofa até pode ficar, mas pelo menos troca o isopor por uma mochila e se joga no mundo meu filho!).

Daí um dia (neste tal dia de 2010) pensei: por que não? Eu vou estar fazer a mesma coisa, só que para uma roda maior de amigos. E se pelo menos um desses que ler se levantar e fazer uma viagem diferente já vai valer. Porque pra mim a pessoa só precisa por o pé na estrada uma vez, daí já era. É flechada, é paixão.

Conselho e pensamento acatado. Fiz o blog.

Agora você me pergunta: e da onde veio esse nome, Willy?

Não. Essa não é a pergunta que mais escuto, pode ficar tranquilo (haha). Apesar de ser o comentário que mais fazem, acho que a interrogação não acontece tanto porque quando o pessoal ler os causos, fica sabendo dos perrengues e veem as fotos dos lugares que passei, o nome já faz total sentido (haha)! De certa forma é isso mesmo, do contrário não teria voltado em 2008 pra puxar esse nome do baú de vivências. Sentiu né?! Então senta porque tem… tem história pra contar (como tudo aqui).

Depois de concluir o ensino médio e não passar em nenhum vestibular (aquele velho plano de fundo que a gente conhece bem), eu fuji me mudei para o continente africano no começo de 2008, a fim de não fazer cursinho realizar trabalhos voluntários. A início me instalei em Joanesburgo, na África do Sul, onde participei de um treinamento por dois meses antes de ir a campo.

Minha expectativa inicial era ser transferido para a Tanzânia (garrei um negócio quando vi esse país num mapa que ficava pregado na sala, não sei explicar o que que eu queria naquele fim de mundo), mas por questões de saneamento básico, falta de água e malária estruturais fui convocado a servir em Botswana (país vizinho). O problema foi que a mudança aconteceu repentinamente, sem planejamento ou aviso-prévio. Em 11 de maio (meu aniversário, inclusive) os coordenadores do projeto me avisaram da transferência naquele mesmo dia. Assim, antes mesmo de soprar a vela e cantar o “com quem será?”. Beleza, embarquei rumo a Gaborone (capital de Botswana que eu nunca nem tinha ouvido falar na vida) e detalhe… sem ao menos ligar para minha casa no Brasil avisando da mudança, na esperança de chegar lá, me instalar tranquilamente e depois comunicar minha família sem nenhuma dificuldade (ô inocência, ainda queria passar no vestibular desse jeito). Guarda essa, Brasil.

Enquanto isso em Joanesburgo…

O coro comia! Na mesma data da minha mudança ocorreu no centro da cidade um ataque xenófobo (aquele, quando manifestam aversão e ódio a estrangeiros), cometido por negros sul-africanos contra diversas nacionalidades, matando muitas pessoas a sangue frio em praça pública, deixando outras centenas feridas e milhares desabrigadas.

Apesar do ataque ter sido voltado mais para chineses, indianos e africanos de países próximos (eles acreditavam, dentre outras coisas, que essas pessoas estavam roubando seus empregos) e não haver nenhuma vítima brasileira atingida, me chega William Bonner generalizando tudo e como de costume a mídia não deu muitos detalhes do que acontecia de fato na África, só um “tão matando estrangeiro a sangue frio, no centro da cidade, à luz do dia! Boa noite, fique agora com a novela das 8…”(ponto)

Agora dorme com essa!

Como é que a família dessa pessoa que vos escreve ficou?! Parada, né Brasil, do lado do telefone, esperando o filho ligar para dar sinal de vida. E onde eu tô? Lá no paragrafo de cima, em Bots alguma coisa, sem noção do que está acontecendo.

Paralelo a essa confusão cheguei no destino final e descobri que não tinha internet, telefone e etc. Pra não dizer que não tinha nem pra vê, na casa que eu morei possuía um, mas de enfeite. Estava lá sem funcionar desde que se mudaram. Poderia ter encontrado um lugar para me comunicar? Poderia. Mas eu fiz? Fiz! Quase 1 mês e meio depois!

(3 segundos de silêncio)

2010. Que nome colocar no blog? O telefone chama em 2008, minha mãe atende e a primeira frase que eu falo do outro lado da linha foi: Ei mãe, tô vivo!

De lá pra cá muita coisa aconteceu, comigo e com o blog. Passamos por mais duas fases. Uma, foi quando o blog estava começando a alavancar e juntei com três amigos para produzir mais conteúdo e dar uma cara nova pra ele, mais profissional. Nessa hora entram Isa e Carol (que conheci na África) e Mateus, um amigo e companheiro de viagem. A parceria durou até o dia que um espírito de porco invadiu o servidor e apagou tudo (não, pera, deixa eu colocar em caixa alta) APAGOU TU-DO. Todo o conteúdo foi embora. Eu confiava no backup do servidor e não tinha nada salvo em outras mídias (escrevendo isso agora, tô achando um clichê tão previsível haha). Dei uma desanimada legal. Força zero para voltar a escrever tudo de novo, afinal foram 5 anos de conteúdo, já milhares de visitas dia, posts memoráveis como o Roteiro alternativo pelo Uruguai, os diários de viagem e o passo a passo para fazer as, até então desconhecidas, Trilha Salkantay para Machu Picchu e o Monte Roraima, o tour ela Patagônia Argentina e as dicas para comprar botas de trekking e mochilões de viagem que me renderam ótimas parcerias. Enfim, um ano se passou e não encontrei motivação para refazer o blog.

Até que um dia aquela velha pergunta me visitou de novo, “por que não?”. Com ela o despertar de vários outros sonhos também vieram e todo mundo se deu as mãos e estamos aqui hoje. Fim. (haha)

Não, calma! Mas foi isso mesmo. Escrever aqui sempre me fez tão bem, compartilhar tudo que vivo e ensinar o caminho para que outras pessoas tenham suas próprias experiências é a motivação. Não tinha que procurar outra não. É só começar de novo, sem crise, sem lamentações. Aquelas dicas todas foram úteis para váaaarias pessoas, essas novas espero que seja maravilhoso para outras tantas.

E no mais… ramo que ramo!